GUAPURUVU ATOMICO. Dois imãos que sempre tiveram a música em suas vidas.
Um nasceu meses antes de Woodstock e o outro, veio ao mundo no ano de
lançamento do mítico LP "A tábua de esmeraldas", de Jorge Benjor. Marcos
conheceu Ipanema no início dos anos 80, quando o topless era moda.
Marcio ficou mais íntimo nos anos 90, já morando na Zona Sul.
2005.
Os dois irmãos se encontram novamente e seus caminhos apontam para
Ipanema. Ali no Coqueirão montaram seu "escritório" onde realizaram
projetos ecológicos, artísticos e cientìficos. Quando já tinham feito
tudo, entraram de cabeça na altinha, que já conheciam de outras épocas
como "controle".
Evoluíram em poucos anos, dando origem a
primeira web-série de altinha do mundo. Seguiram com a mesma fórmula por
3 anos, utilizando músicas de artistas convidados nas aberturas. No
quarto ano, decidiram inovar criando a própria trilha sonora com beats,
uma escaleta, um prato Zildjian rachado e alguns instrumentos
improvisados.
2016. Pausa por um ano até voltarem para a 5ª
temporada, sob o nome de ALTINHA 20 ϟ 20 e uma nova trilha sonora, com
todos os instrumentos que tinham direito: guitarra, teclados, trompete,
trombone, sax e percussão. Quando os 16 episódios de ALTINHA 20 ϟ 20
acabaram, continuaram tocando e gravando novos sons que mais pra frente,
dariam origem ao Ep Altinha Music.
Isto é só o começo. Aperte o play e divirta-se!
Confira outras capas com PXE e Botocarioca, os mais radicais da altinha!
Encomendei minha primeira prancha em 95. Como surfava direto
em Saquarema, peguei uma 6´4´´ da Spirit, shapeada pelo Dardal, fininha, o bicho.
Ficou pronta num sábado e depois de passar na River pra buscar,
fui direto pro Arpex. O mar estava pequeno, razoavelmente
cheio, mas nada que atrapalhasse a estréia. Entrei na água, já desci uma onda.
Um moleque dropava enquanto eu voltava remando e como estava muito em cima, a
prancha foi jogada pro alto mas veio na minha direção, só dando tempo de
afundar. Quando voltei à tona, virei minha prancha rezando pra estar
inteira e avistei um rasgo perto da borda. Pedi ao moleque pra sair da água e
voltamos à loja, pra agilizar o conserto e depois de uma semana, já estava
fazendo minha primeira session em Saquá.
PXE, CF. 97/98?
Alguns sábados depois no mesmo ano, fui surfar na Barra com
dois amigos da faculdade. Chegamos cedo e encontramos altas ondas num pico
praticamente vazio. Tava me dando bem, aproveitando aquela condição rara. Voltando
pro outside, passei diante do Daniel, um dos amigos mais “joselitos” de todos
os tempos, que começou a remar. Podia perceber que eu me encontrava no
caminho dele e qualquer surfista em sã consciência nunca droparia aquela onda,
já que a probabilidade de me atropelar seria grande. Só tive tempo de dizer
“vai não, vai não!” e ver o moleque dropando, pra "vacar" praticamente em cima de mim. Senti um tranco na prancha, os estrepes se
enrolaram e voltamos à tona. Quando comecei a remar, fui tocando levemente o fundo
da prancha torcendo pra não encontrar nada, mas acabei achando o rastro deixados pela
quilhas, de uma borda à outra. Saí muito bolado da água e ainda tentei fazer uns remendos com parafina pra aproveitar as boas ondas do
dia, mas não deu certo e o jeito foi ficar na areia.
Daniel e PXE. Laboratório de fotografia da EBA. Fundão. 97/98.
Vinte anos depois, curtindo uma prainha no inverno carioca,
avisto um trio e começo a primeira altinha do dia. Já havia jogado com todos anteriormente
e sabia que tinha jogo ali, apesar das infinitas tentativas de levantar a
bola durante uns 30 minutos. Um quinto elemento chegou e foi a deixa pra eu
mergulhar e me dirigir a outra roda, onde só haviam 3. O ritmo era frenético e rendeu até que o primeiro saiu, mas continuamos enquanto o dono da bola não chegava. Outro amigo apareceu com uma Mikasa estalando de nova e na sequência, acertei
2 helicópteros (34 completos até agora).
Ficamos em 3 de novo, mas já exausto, abandonei o jogo em direção à água.
Quando voltava do mergulho, senti uma porrada forte na cabeça, mais precisamente
em cima do ouvido esquerdo, que se dissipou. Acho que vi estrelas e numa fração de segundos,
pensei em desabar na areia. Desisti da idéia e vi a uns 10 metros, o moleque
que tinha lançado a bola e seu amigo bem perto, pedindo milhares de desculpas.
Voltei correndo pra água, como se nada tivesse acontecido.
Saiu um helicóptero no 112, mas a bola só raspou na mão do amigo
O jogo está cada vez mais rápido e radical, e quanto mais atento
estamos, aumentamos a possibilidade de dar continuidade a jogadas
impossíveis, mas ainda não evoluímos a ponto de interceptar bolas que
não vemos. Um fato desses ocorre muuuuito de vez em quando e
normalmente, os próprios jogadores de altinha são atingidos ou servem de
tabela, cabeceando/devolvendo a bola sem saber. É claro que também sobra bola (ou areia)
pros banhistas em situações que realmente fogem do controle, mas ainda assim,
os riscos são mínimos.
O 113 termina com meu "killercóptero"
Surfei direto de 92 a 2004 e apesar dos incidentes citados acima, nunca coloquei a vida de ninguém em risco. Durante os 28 anos de skate, não lembro de ter acertado uma canela ou qualquer parte do corpo que não fosse do meu. Voltei a jogar altinha em 2008 e infelizmente acertei um ou outro sem gravidade, algo que já deve ter acontecido a qualquer um que jogue em Ipanema. O lance mais "violento" de todos ocorreu no verão passado, quando mandei um helicóptero que resultou numa bola espirrada no jogador mais próximo, a pouquíssimos metros de
distância. Apesar da velocidade e força alcançadas, a recuperação dele foi
imediata. Só não deu pra escapar das risadas dos amigos!
Todo dia de Sol parece o mesmo no Rio de Janeiro. Lá da
ponta esquerda de Ipanema, estica-se a massa de gente pela areia, mas o crowd
real é sempre no posto 9. O Coqueirão é referência na altinha e as bolasjá estão no ar desde cedo, como nos velhos
tempos, antes do decreto (que proibia a prática do esporte próximo à água antes
das 17h). O tal “bom senso” demorou pra chegar mas veio antes da Copa, que
finalmente passou e parece ter sido um sucesso, mesmo com a pior derrota do
Brasil (em toda história) e o 4º lugar em casa. A parte boa disso tudo foi ver
a Argentina perdendo no Maracanã, para a tristeza de "los hermanos" que invadiram
o Rio de Janeiro em peso, mas ralaram cedo. Deus é brasileiro! Que venham as
argentinas da próxima vez!
Botocarioca executando um helicóptero num dia lindo de inverno.
Mais uma foto do fera Filipe Costa!
Os dias frios costumam ser parecidos por aqui também. As
ruas estão vazias, comparadas aos dias de calor. Comprar qualquer coisa nos
mercadinhos do bairro por exemplo, costuma ser uma lenda mas não no Rio com cara
de Sampa desta sexta-feira (sábado e domingo), onde você vê um ou outro andando de moletom/bermuda/chinelo
na chuva.
De qualquer maneira, esses dias também tem seu valor. É
quando a gente descansa do treino frenético que se estende pelos dias de Sol,
que costuma ser ainda mais puxado no verão. Dos 38 dias filmados em 2014, 18
foram só em janeiro.
cap.110 - o 2ºdia do ano
cap.111 - na velocidade normal
Em pleno inverno, o Sol tem dado as caras, proporcionando
temperaturas agradáveis e dias lindos. Como já passamos da metade do ano,
resta iniciar a contagem para o próximo verão e a quarta temporada de Ipanema
Allteen. Os filmes do verão passado ainda são bastante atuais, mas o jogo que
tá rolando agora na areia, promete emoções ainda mais fortes para 2015.
Comecei a jogar bola por volta dos 4 anos. A primeira e mais
nítida lembrança foi um gol a gol contra meu irmão, no corredor lateral do
nosso prédio que dava de frente pras salinas, em São Pedro da Aldeia. Estava de chinelo e num chute
errado, decepei a “tampa” do dedão (só quem passou por isso sabe do que estou
falando), sangrou um bocado, mas deu tudo certo no final.
SPA, 1978.
Acabei lembrando
também dos “últimos dias”, com um carrinho errado na tentativa de salvar a bola
na lateral (um barranco, na verdade) e a repetição do mesmo movimento, que acabou
numa torção do braço esquerdo seguido de gesso, mas felizmente não atrapalhou
minha ida à Unijovem, um festival voltado para molecada, realizado no Riocentro
em 1986. Pela primeira vez, vi um halfpipe de perto e vibrei com as manobras de
Sergio Negão, Salada, Tioliba entre outros. Saí de lá com o gesso todo
assinado, decidido a andar de skate e logo ganhei um Bandeirantes clássico, prematuramente
aposentado pelo meu primo.
Continuei jogando bola, mas a atenção total era pro skate e
logo peguei um modelo maior da Bandeirantes, que virou febre na rua. A febre
passou e eu continuei, adquirindo um skate “profissional”. Comprei com meu pai
numa dessas lojas multimarcas do Norteshopping e no domingo seguinte, voltei lá
pra estreiar.
Judo-air. 1989
Mellanchollie. 1997
Das manobras da época, mais pausadas e basicamente feitas
com as mãos (boneless, inverts), evoluí junto com o esporte - aos olllies,
shove-its e flips, (deslizando) corrimãos além do switchstance (andando na base
contrária) que permance até os dias atuais - completando uma saga de mais de 10 anos
seguidos dedicados ao street.
Kick-flip 360. 1997
Montei meu escritório na praia de Ipanema em 2006 e por um
bom tempo, fiquei apenas olhando as centenas de bolas voando no ar. Em dezembro
de 2008, voltei a jogar, com os amigos da praia. No começo, era só um "novato"
com muita energia pra não deixar a bola cair. Em pouquíssimo tempo, já voava
nas primeiras bicicletas e chilenas (sem experiência prévia), moleza perto dos
anos de ralação no asfalto. Infelizmente, voar incomodava alguns, já que a
precisão não era total e por vezes, a bola caía. Diferente do skate, precisava
da compreensão de todos se quisesse radicalizar. Aprendi o básico, que muitos
consideravam como o “jogo” e fui percebendo a evolução do esporte, tanto nas
manobras quanto na movimentação.
PXE x Botocarioca. Maio 2009. Ao som de Mat Mc Hugh
Há tempos não andava de base trocada no skate e agora,
parece mais normal do que antes, pois com a altinha, estimulei bastante o uso
da perna esquerda (sou goofie, uso a direita na frente do skate e chuto 99%
das bolas com ela). É lógico que o aprendizado fluiu na intenção de dar as
mesmas oportunidades pras duas, diferente daqueles que costumam dizer que “a
outra perna não existe”. Como assim? Realmente não dá pra entender a
“paralisia” de uma perna que está lá e pode salvar o jogo, mas não se move
porque o jogador aceita a condição de ser assim ou assado, pra sempre. Isso me
faz lembrar daqueles que vão pra um show mas não dançam...
O futebol cresceu muito como espetáculo, mas não parece ter mudado
na forma de jogar desde sua invenção e isso foi levado pra altinha. Se há algum
tempo eu era apenas mais um replicando o clássico pra agradar aos mais tradicionais,
hoje sou um dos que puxam os limites do esporte e enchem os olhos de quem passa
na praia. E o que faço na areia, se reflete na minha vida, porque viver sem
evoluir é o mesmo que não viver.
Cap. 107: bicicleta na medida (2:15s) + letra voadora? (3:03s)
PS: se a seleção canarinho conhecesse a altinha de Ipanema,
o hexa teria saído em 2014.
Rio de Janeiro, 19 de junho de 2014. Feriado de Corpus
Christi. Com chuva, que por aqui também quer dizer, todo mundo em casa,
inclusive eu, fechando mais um capítulo de Ipanema ALLTEEN do verão passado. Apesar de
não estar acompanhando, sei que a Copa continua, com o Brasil quase
classificado para a segunda fase, esperando um jogo com o já eliminado
Camarões. A Espanha também rodou e alguns chilenos sem ingresso, tentaram
entrar no Maracanã na marra e já foram convidados a se retirar do país (dessa
vez, a baderna não ficou por conta dos “vândalos”).
Coincidência ou não, a Holanda ficou hospedada logo ali no
Posto 9, a Amsterdam carioca,
onde estive nos últimos dias, mesmo com todas as nuvens, já
que isso não faz muita diferença pra quem joga altinha. Não sei se já falei antes, mas o que mantém a bola no ar é a
energia, independente da qualidade dos jogadores. É lógico que aqueles que
jogam futebol ou futevôlei, tem mais chance de fazer um jogo melhor, mas isso não
é uma regra.
Cap. 105: jogo pesado, só a nata!
Várias altinhas aparentemente redondas já vem formadas antes
mesmo de entrar na areia, já que muita gente costuma se ver além da praia. Essa
galera que joga sempre junto, acostuma-se, já sabe onde fulano vai botar a
bola, quando vai bater e às vezes, repetem os mesmos erros. Essa harmonia
só costuma ser quebrada com a chegada de um desconhecido, quando se vê claramente, bons jogadores fazendo corpo mole.
Diante de uma altinha vaga (com menos de 4 pessoas), entro com
o único objetivo de somar, me testar e evoluir e tenho visto todo tipo de recepção,
das boas às mais estranhas, pelo simples fato de ser/trazer o novo, algo que
alguns humanos costumam temer.
Jay Adams
Quem tá plantado no chão, não faz questão de entender e implica
com os que voam. Isso lembra os primórdios do skateboard, quando Stacy Peralta, Tony Alva e Jay Adams (
Zephyr Team), muito à frente de seu tempo, elevaram o nível do esporte com suas
irreverentes manobras nos campeonatos, e continuaram elevando ao desbravar as piscinas californianas, o que deu origem ao vertical e hoje se desdobra em modalidades super inovadoras como a Mega Rampa, cria do brasileiro Bob Burnquist.
Diferente do skate, o futebol mantém-se tradicional e mesmo
sem acompanhar um jogo ou campeonato sequer, tenho a impressão que os
resultados também não mudam. As últimas “novidades” como a bicicleta e a
chilena, respectivamente executadas por Leônidas da Silva (1932) e Arsenio Erico (1934), raras nos jogos, tornam-se cada vez mais comuns na areia.
Higuita...abusado!
Quando eu digo “comuns” não falo de centenas de pessoas, mas de uma
meia-dúzia de gatos pingados que conseguem executar, enquanto o helicóptero,
ainda parece um truque mutante que
provavelmente vai demorar pra chegar aos campos. Em 2014, nós somos o futuro!
Faltam 7 dias para a próxima Copa do Mundo. E 64 anos
depois, o Brasil é a sede pela segunda vez, mesmo com todas as manifestações
que a antecederam. O que era pra ser um motivo de orgulho – afinal a Copa é o
maior evento futebolístico do planeta -traz um pouco de desconforto ao povo brasileiro, que ganhou muitos
estádios, mas continua sofrendo nas filas dos hospitais (além de outros
perrengues).
Deixando essa história triste de lado, nessa época, os
anúncios não falam de outro assunto, sempre repetindo aquelas imagens clichês
de seleção e torcedores, num clima de ansiedade, esperança, já ganhou e tudo
mais. Lembrando que o primeiro jogo (Brasil x Croácia) cai no dia 12 de junho, existe
a possibilidade de vermos a dupla “Copa x Dia dos Namorados” emplacar na propaganda
brasileira.
Nas favelas dos 4 cantos do Brasil ou em qualquer pelada de
bairro, a molecada entra em campo personificando o seu jogador favorito entre
os 11 que representarão a seleção canarinho. Eu sei disso porque tudo se repete,
de uma forma diferente, já que o moleque um dia comemorou seu gol como um Pelé, Zico,
Romário, Ronaldo e hoje comemora gritando como se fosse o Neymar. Obviamente, todo mundo quer ser atacante.
PELÉ
ZICO
Esse fenômeno não acontece no Posto 9, onde somos
todos diferentes mas cada um é quem é, com o único objetivo de manter a
bola no ar. Apesar de ser algo que existe desde que bola é bola, a
altinha se mostra às câmeras do mundo todo como parte da cultura carioca, um esporte novo que desafia
a gravidade à beira- mar, cercado de um cenário sugestivo que não se vê por aí.
O jogo tá cada ficando cada vez mais doido.
Melhor sequência: 1:06s
É difícil de acreditar que um povo festeiro como o nosso, não vá
aproveitar uma festa tão importante realizada no “próprio quintal”. As
reclamações não param mas esse bafafá de “não vai ter Copa”, pelo que ouvi, é mais medo da repetição do vexame de 1950 do que as velhas reivindicações populares.
Independente de
qualquer resultado, a altinha não vai parar de evoluir.
A tendência é que o bagulho fique cada vez mais doido!
O CAP. 100 é lendário! 2:07s de bola no ar, a altinha mais radical de todos os tempos!
PS: como toda regra tem uma exceção, ouvi alguém dizer que era o "Neymar da altinha". Antes de fechar esse post, cheguei na praia e fui presenteado com essa foto do Filipe Costa, fera na fotografia e na altinha!
Véspera de aniversário. 10:59 no computador, como um bom
carioca nos dias de chuva. Já com saudades do Sol da quinta passada, quando
comecei a jogar altinha lá pelas 15h, liberada pelo “bom senso”, já que a praia
não anda lotada.
PXE e o helicóptero, aos 42 s, na abertura da 3ª temporada
Descansava dos primeiros jogos do dia, quando vi dois caras
jogando super bem, no meio de tantas rodas completas. Me posicionei perto do
mar e perguntei se podia somar, recebendo a bola em seguida. Ela foi e voltou
umas 3 vezes e a energia fluiu.Recomeçamos,
quando lancei um “helicóptero” na minha vez. O amigo da ponta direita gritou
“QUE ISSO!?”, como se tivesse visto um ET (é a segunda vez que isso acontece e o
17º helicóptero saiu na quarta). Meu pé passou raspando, caí no chão e já me
levantei pra pegar a bola. Voltei rindo pro jogo, explicando do que se tratava
e prosseguimos.
Santana dá o nome e também joga no segundo capítulo!
Santana, o jogador mais antigo da área, chegou pra completar
a altinha. Éramos 4 e o jogo fluiu perfeitamente por uns 5 minutos, com muita
bola no ar e jogadas extremas.
Do nada, aparece um “quinto elemento”, pedindo pra jogar já
dentro da roda. Nessas horas, pelo bem da altinha, é necessário pensar se vale
sacrificar um jogo excelente, pra entrada de um novo elemento, mesmo que seja
um craque. Infelizmente, os “donos” da bola não barraram o sujeito. Eu ainda
tentei educadamente pedir pra que encontrasse um trio e fechasse uma roda, mas
ele queria ficar ali. E ficou, ao lado do Santana.
Pra nossa infelicidade, o cara ainda era ruim de bola.
Acertou umas duas jogadas na sorte que me deram a impressão de estarmos numa
pegadinha, com algum jogador desconhecido da seleção (são todos desconhecidos
pra mim) disfarçado de Gargamel com papai Smurf. Acertou também o pé do
Santana, que foi dando espaço ao perna de pau, mas não saiu dali.
O jogo perfeito se tornara um tormento. O mar estava
convidativo e não pensei duas vezes.
Depois do mergulho, voltei pra minha base e de longe, vi o
jogo anterior fluindo com apenas 3. Completei por um tempo até a saída dos 2
primeiros. Fiquei jogando com o Santana quando apareceu um “terceiro” elemento.
Um fotógrafo se apresentou pedindo pra tirar umas fotos e eu disse que tava ok
por mim. O jogo não fluía e o “terceiro” elemento tentou botar ordem na casa,
pedindo mais concentração e menos interesse na mídia, querendo me culpar. Falei
que mídia era algo normal pra mim, que não tinha medo de atuar na frente ou por
trás das lentes. A altinha do lado fluía com 3 cabeças, vazei pra lá, fechando
o número ideal. A bola subiu e diversão, era só o que eu queria!
CAP 103 - Diversão é tudo!
Aproveitando o caso supra citado, a altinha parece um jogo
simples e realmente é. Idade, sexo e raça não definem quem pode jogar, mas você
sempre será julgado quando entrar no jogo. Todo mundo foi um novato um dia, mas
independente disso, a bola tem que ficar no ar e ninguém está afim de
sacrificar um jogo bom dando aula.
Quatro é o número ideal de jogadores na minha concepção.
Cinco complica quando sobra gente, mas nem todos recebem a bola. Tem gente que
até prefere 6 na roda, como a Pelézinha, ou Carla, uma menina que tinha lugar
garantido em qualquer altinha por volta de 2009/2010.
Não encontrei o vídeo da BBC que chamam a Carla de Pelézinha...
Humildade é importante, mas isso não vai garantir seu lugar
na altinha se a bola cair o tempo todo. Criticar por criticar também não ajuda,
mesmo que você seja o melhor. E se você não for o melhor e ainda criticar, vai acabar
fazendo freestyle....rs
Se o jogo estiver fluindo, pense duas vezes antes de entrar.
Bom senso é tudo na vida e na altinha!
A altinha mais radical de todos os tempos continua imbatível!
2:07 s de bola no ar!!!
Acabei de voltar da 12 ª Marcha da Maconha do Rio de Janeiro. A festa que não tinha hora pra acabar no Arpoador, acabou não rolando
por causa da chuva. Voltei encharcado e mais criativo.
Informação de sobra na Marcha da Maconha do Rio de Janeiro!
Deu saudade do sol? Clica aí...
Emendei na finalização do ensolarado capítulo 102 de Ipanema
Allteen e viajei na temática maconha e esportes, já que estamos sediando uma etapa do WCT, circuito mundial de surf, na Barra da Tijuca.
Nos anos 80, surf era considerado esporte de “vagabundo”.Todo surfista tinha fama de maconheiro, mas olha só que ironia, hoje vemos até marcas de cerveja patrocinando os
campeonatos (meio nada a ver na minha concepção). A grana de patrocinadores
como esses, até então inusitados à cena, ajudaram a “glamourizar” o esporte e
transformar surfistas em popstars.
Faz tempo que não acompanho as novidades
desse mundo, mas pensando
nas cifras envolvidas e no nível de competição dos dias atuais, me pergunto se os
surfistas profissionais continuam sendo maconheiros, como pregava o estereótipo nos anos 80, já que a ASP
adotou os testes anti-doping recentemente, para punir surfistas que estivessem
usando estimulantes e drogas recreativas como a maconha. O mais engraçado é imaginar qual
vantagem ela traria pra um surfista numa competição tão acirrada, já que a erva dá aquela relaxada. Na verdade, lá fora existem trocentos tipos de erva e cada uma age de um jeito, mas ainda assim, competição exige foco total. Enquanto continuamos no prensado graças à política proibicionista que impera no mundo.
Kelly surfando "The Box", em Margareth River. Surfei aí em 2001!
Hipocrisias à parte, o 11x campeão mundial Kelly Slater comentou
sobre o caso do snowboarder Rossi Rebagliati, que ganhou a prova de slalom
masculino no Winter Games de Nagano e foi pego nos testes, pelo uso da erva
sagrada.
“Será que a maconha ajudou ou atrapalhou? Eu acho que teria o desacelerado”, comentou Slater
sobre o episódio. Fonte: LAYBACK
E o futebol? Imagine se os 22 jogadores dos dois times
fumassem uma bomba e entrassem em campo. Teríamos um jogo mais criativo e com
mais gols ou um bando de palermas batendo cabeça, seguindo a velha imagem de bobões que
os proibicionistas atrelaram aos efeitos da planta. De qualquer maneira, o
futebol americano tem visto a erva com outros olhos, e a NFLcogita liberar
maconha medicinal para os jogadores.
Enfim, a parte boa dessa história é que não existe
anti-doping na altinha. E a criatividade continua imperando!
Comemorei o Dia do Trabalho como uma quinta feira qualquer:
na praia de Ipanema. A pedida inicial era um rolé de long, mas o SOL deu as
caras e eu não sou doido de dizer não a Deus.
Falando em Deus, tivemos aquela conversa com JAH e já
entramos em campo. Ou melhor, na areia. PXE x Botocarioca. O jogo já começou
nervoso e teve a participação do Romero, (representando a família BrownieMaria-Joana) que não jogava há algum tempo, como ele mesmo disse. Os três
estavam funcionando bem, mas fechamos a altinha com quatro, na entrada de
Rodney, que até então eu não conhecia, nem tinha jogado. Romero pediu pra
assumir a lateral, batendo de frente com o BC. Fiquei colado no mar, de frente
para os prédios. Encurtando a conversa, acertei um helicóptero perfeito. É
possível que você nunca tenha ouvido falar dessa manobra ou até visto, porque
até onde eu sei, só dois caras são capazes de executá-la. Bati certinho na bola e ouvi o
novato gritar “QUE ISSO!”. BC interceptou a bola, passando para Rodney, que
devolveu uma bola simples, caindo numa chilena que BC tentou aplicar pra bater
de frente com o meu helicóptero. Só tive de tempo de levantar e comemorar, pra
pular no mar em seguida.
É muito louco chegar aos 40 inovando o esporte que vai
dominar o mundo. Inventar manobras não é algo tão fácil, mas penso nisso o tempo
todo e provavelmente, isso tem a ver com o skateboard, que pratico desde 1986.
Fiz street durante 10 anos seguidos, vivi toda a evolução do esporte, desde as
manobras paradas até os flips, que hoje são ainda mais variados. Mas onde eu
queria chegar? Aprendi muitas manobras vendo vídeos de skate, através de fitas
VHS vindas direta dos EUA, o país de origem do "surfe sobre rodas". E um dos meus maiores
professores foi Rodney Mullen, um gênio do freestyle, que acabou se
tornando um dos maiores skatistas overall, isto é, adaptável a qualquer terreno, de todos os tempos!
De volta ao Rio de Janeiro, chegamos ao capítulo 101 de Ipanema ALL TEEN, o primeiro jogo da 3º temporada, que
traz 3 boas seqüências (19s, a menor, 40s, a maior) e nos destaques, chilenas e
sharks da família guapuruvu.com.
Pau-brasil (Caesalpiena echinata) - IAT 2014 / cap 100
O nome " helicóptero" foi invenção do Botocarioca, mas o primeiro esboço da manobra foi executado por mim, no verão
de 2012, que aparece aos 3:03 s do capítulo 25 de Ipanema ALL TEEN, Gladiators
da Maria+Joana. Esse jogo tava NERVOSO!!!
Rodney Mullen aparece neste vídeo executando duas manobras inventadas por ele:
o darkslide (10) e o semi-flip(1). Nos anos 90, eu acertava uns
imposter flip (9)
na transição do bowl do Rio Sul, mas só fui descobrir o nome recentemente.
Tudo começou num dia nublado de dezembro. Teoricamente, ficaria em casa fazendo alguma arte, mas meu irmão apareceu e sugeriu chegar na praia, pelo menos pra jogar uma altinha. Falei que só iria se filmássemos. Os dois curtiram a idéia e nasceu o Ipanema ALLTEEN.
O START cap.1 / pt.1
O START cap.1 / pt.2
O start deu início a uma série, que durante 3 verões captou no peito e na raça, os novos caminhos desse esporte que é uma febre nas areias de Ipanema. Enfim, poderia até contar sobre o nosso retorno lá em 2008 e muitas histórias que se passaram, mas é possível voltar no tempo em apenas 1 clique...
Depois de 3 anos e mais de 40 horas de altinha publicadas pro mundo inteiro, posso concluir que estamos diante daquilo que vou chamar de "A altinha mais radical de todos os tempos"
5 jogadores
2 minutos e 7 segundos de bola no ar
105 passes
É RECORDE!
E na abertura, um porradão do 3030, representando o #RAPRJ!
Em homenagem à Mãe Natureza, os títulos desta temporada serão todos dedicados às arvores e para puxar o bonde da terceira temporada de Ipanema ALLTEEN, iniciamos no capítulo 100 com o guapuruvu(Schizolobium parahyba).
Viva o 3º mundo!
CONTINUA...
Agradecimentos especiais a:
3030, LK, Rod, Bruninho, Daniel, Miranda, Vitor, Mat Mc Hugh
"Harmony in my head" é uma arte do PXE inspirada nas fragatas, aquelas aves que voam no céu de Ipanema e lembram pterodáctilos. "Harmony in my head" é também a única música que o vocalista Pete Shelley não canta no Buzzcocks, uma das primeiras bandas punk do mundo. No lugar dele, ouvimos o guitarrista Steve Diggle.
O vôo das fragatas, um episódio do Rio que passou, com a trilha sonora psicodélica do The Doors.
O mundo não acabou. E o guapuruvu.com também não! Voltamos em novo formato, livre de apurrinhações. Começamos o ano na praia, jogando altinha, só pra variar, e claro, dando continuidade no IPANEMA ALL TEEN, pra registrar e contar a história do esporte mais praticado nas areias de Ipanema.
Acabamos de lançar o cap. 71 no Youtuba e capturamos essa chilena do PXE aos 07:07s.
PXE jogava altinha desde criança, mas o nome do jogo era outro: controle. Até jogava futebol como muitos, mas logo enveredou para os esportes radicais. Aos 8 já surfava e aos 12 começou a andar de skate, viu a febre se espalhar e acabar entre a molecada, dedicou-se e aos 15 já tinha nível pra competir. Continuou no rip até os 22 e alguns anos depois já diminuía o ritmo em cima de um longboard, sem perder as bases da rua.
PXE, ZN - RJ, 1989
f: Renato Bastos
guapuruvu.com, Coqueirones, 2010
f: Ricardo Leoni, o Globo
Hoje é comum encontrar vídeos de skate amador na internet, mas na "época" do PXE, essa tecnologia era bem restrita aqui no Brasil. Pelo menos, seu pai gostava de fotografar e tinha um bom equipamento para capturar alguns desses momentos clássicos. O gosto pela fotografia acabou perpetuando na família e hoje, "com uma câmera na mão e uma idéia na cabeça", PXE mostra seu jogo.
A idéia é bem simples: uma câmera parada captando o jogo e toda essência de Ipanema em poucos takes, apresentados sem edição. Os jogadores variam de acordo com a vontade do Universo e de fixo mesmo, só o elenco da guapuruvu.com. Os nomes dos capítulos são inspirados em situações ou aspectos de cada dia. E como esse dia tinha tudo a ver com mangue, recomendamos "Da lama ao caos", primeiro disco de Chico Science e Nação Zumbi.